Friday, July 17, 2009

Con_fundidos no mesmo miado...


O inaudível faz aspas em teu nome
Alguma coisa quer tocar
Para além da cortina da madrugada
Palavras mudas atravessam o espelho
Meu olho dentro de outro
Fala o que ninguém pode escutar

[Enquanto o gato na janela fareja o mundo]

Eu felin[i]a[na]mente tua arranho o céu e parto
Pulo os muros abs_traio a noite [no faro]
Como quem dança na corda bamba do tempo
Desejo-desatino-dedos-dentro
Desenham elipses-eclipses-clave de sol sobre o luar
E a pele nua nos lençóis de papel

[As naus das mãos enfrentando os maremotos de seda]

O oceano do teu corpo invadindo minha ilha
E o naufrágio no sol de sal do paladar
No breu estrelado da boca
A via-láctea de tua língua é um desvio
A lamber a mucosa rubra da noite
A via-tátil entre os a_pelos do açoite

[E eu a beber todo o mar da paisagem feita de carne]

Toda a vida aqui dentro
[Enquanto o gato cúmplice já esqueceu lá de fora]

Con_fundidos no mesmo miado...

(Raiblue)


Madrugada de 11 de Julho de 2009

Saturday, July 11, 2009

Luas bacantes a embalar nossa rede!




Dei [te] fantasias maríntimas
Num travesseiro de nuvens
O céu trans[bordou] lenç[s]óis
A seda se misturou ao veludo
Bebeste meu fogo em cada poro
Em beijos voluptuosos de Netuno

Amordacei-te a fala e o pudor
Mostrei-te o amor natural
Na noite enluarada dos teus olhos
Zarpei no além-mar da pele nua
Naveguei-te à deriva de mim mesma
Nas ondas rubras que conectam nossos sexos

Seixos secretos de rios que não secam
Sabores dispersos nas bocas que provam
Diferentes texturas no verso e reverso
Dos corpos navegantes e libertos
Antropofágico banquete
Luas bacantes a embalar nossa rede...


(RaiBlue)

Tuesday, June 30, 2009

Existo, logo penso...



No silêncio do mar

O meu tumulto mudo
Os meus olhos[que longe de ti] se perdem
Na melancolia de um ser que não se sente

Apenas passa entre o nada de sua própria ausência
Sozinho entre as ondas da náusea
De pensar e não poder existir
[Descarto Descartes]
Navego sem ser preciso
Num desassossego maldito
Como se chegar fosse impossível
Estou sempre à margem de mim
[sem o porto que são teus olhos]
Não me vejo apenas finjo
Não sou aquele que me olha no espelho[argumento]
sou estranho a mim mesmo
sem tuas retinas
sou a cortina que impede o espetáculo
um ator que se perdeu na personagem
não há combate nessa guerra previsível
onde meu maior inimigo sou eu
[que inexisto]
Preciso dos teus olhos que me despem
antes que minha nudez seja impossível
e eu seja condenado ao pensamento
pura representação de um desconhecido...

(Raiblue)

Monday, June 22, 2009

Dia Internacional da Música!

Sonho de uma noite de São João (Prelúdio de um Janeiro)



Sobre o crepúsculo rubro

deita-se a azul noite inquieta
desabrocha luas negras
diante do infindo verde (a)mar

Colho palavras na brisa
que acaricia meu rosto
e tatua em meu corpo
o cheiro da maresia

Fogos, estrelas, São João
o fogo caleidoscópico
acende as velas do desejo
de ter o veludo de teu corpo
sob o toque de minhas mãos

21 de Junho-Janeiros
xadrez colorido de sonhos
em rota de colisão

Explode no céu a vontade
nas cores de um balão
arde na terra o desejo
fogueira, puro veraneio
e corpos que bailam
no compasso de um baião

E mesmo que finde o dia
no peito pulsa rubra a alegria
de palavras celestes
no alvorecer do acolchoado uni(verso)
do presente e(terno)
Teu, Nós.

(Jéfte Sinistro)


Eternamente grata por tua presença,meu xamego bãoooo...meu maior presente...você...
Te amo!!



Saturday, June 20, 2009

PENSANDOTESINTO


Que eu noite seja consumida pelo teu sol

Num crepúsculo invisível de músculos abstratos

E no corpo da ausência

Sem possuir-te te tenha

Como parte de mim que me falta

Se te crio é uma forma de me ser

Pensar-te é me sentir como verdade

Eu que sempre fui uma invenção...

Sou antes um reflexo em ti [ em teu olho mágico]

És o espelho onde o pensamento

Desfaz a miragem [Deserto oásis]

Do que eu era antes de sentir...

(Raiblue)



Ao meu 'solzinho' sempre a girar na órbita do meu olhar...

Tuesday, June 16, 2009

Gregoriana(mente)




Eu sou um penhasco e o mar
Eu sou o salto no infinito
Eu sou um orgasmo louco e pleno
O asco e o prazer!
Sou Deus e o diabo
Na terra sem sol
A lucidez da minha loucura
A estúpida cerveja
Dilacerando o fígado
O grito e a gargalhada
Sou gregoriana (mente) sádica
E uma boba da corte dos incendiários
Seguro a labareda nos dentes e o mar na língua
Meu beijo é relampejo no breu da boca
E trovoadas no verão da terra do nunca
Saliva que corta e cicatriza
Sou a ferida da rosa de Hiroshima
Sou radioativa
Quando olho a vida
Ávida e depressiva
Sou purpurina e escuridão
Sou o nó cego no coração
Urbana e sertaneja
Quero que me olhe e veja
Carnaval em pleno agosto
Eu sou o oposto
O avesso do verso
Um ser inquieto
Vestido de silêncio
Eu sou ungüento e veneno
Eu sou um risco
Que traço no seu corpo
Só pra me perder de mim...

(Raiblue)




Tuesday, June 09, 2009

À LUZ DO ESCURO




Abismo-me
Não sou das superfícies
Sou o passo e o poço
O soluço do silêncio
Minha matéria é o escuro
Habito o fundo da luz
Infinito

Liberto meu instinto [quase extinto]
Meu bicho-homem domado
Em nome da salvação!
Devoro a razão [que não me decifra]
Danço com meu enigma
Para que ele me surpreenda

Para que o excesso de luz não me cegue
Não seque o meu coração...

Enxerto-me de mim
Pedaços sobreviventes
Aos controles da mente [remotos]
Extravaso meu mar
Extravio meus limites [tortos]

Te dou meus naufrágios em carmim
E minha fome que devora o tempo
Beba-me sal e sol [suor indomável]
Para que eu finalmente seja
E não mais padeça
No concreto pantanoso [divindade]

Prefiro o lodo
Das minhas ambigüidades
Minhas verdades [relativas]
Reveladas nos olhos [absolutos]

Tudo claro
À luz do escuro...

(Raiblue)